The Messiah in Judaism and Christianity

Valmor da Silva, Severino Celestino da Silva

Resumo


Abstract: the article presents the different conceptions of Messiah in Judaism and in Christianity. Although present in other cultures and religions, the concept of messianism is defined in the Jewish religion, influenced mainly by contexts of crisis. Even if it is a fundamental concept, it is not always convergent. In the Hebrew Bible several messianisms were developed, with proposals of Messiah king, priest and prophet. The figure of David was fundamental in defining various types of messianism, but it was in the post-exile period or in the second temple that messianic ideas developed. At the beginning of the Christian era, the effervescence of messianic proposals sharpened popular expectations. Candidates for messiahs referred to the models of tradition, especially Moses as liberator, Aaron as priest, David as king and Judas Maccabee as military and politician. Christianity resumes texts and ideas about the Messiah, but changes the interpretation, concentrating it on the person of Jesus of Nazareth, called the Christ, the Anointed or the Messiah. Although Jesus embodies various traits of Jewish messianism, he privileges the image of the poor, servant, suffering, peacemaker, merciful and supportive Messiah in the struggle for justice. Despite the different understandings, Messianism must be a cause of common effort between Jews and Christians for peace and justice in the world.

O Messias no Judaísmo e no Cristianismo

Resumo: o artigo apresenta diferentes concepções de Messias no Judaísmo e no Cristianismo. Embora presente em outras culturas e religiões, o conceito de messianismo se define na religião judaica, influenciado sobretudo pelos contextos de crise. Mesmo se tratando de um conceito fundamental, ele nem sempre é convergente. Na Bíblia Hebraica, se desenvolveram vários messianismos, com propostas de Messias rei, sacerdote e profeta. A figura de Davi foi fundamental para definir diversos tipos de messianismo, mas foi no período do pós-exílio ou do segundo templo que as ideias messiânicas se desenvolveram. No início da era cristã, a efervescência de propostas messiânicas aguçava as expectativas populares. Candidatos a messias traziam como referência os modelos da tradição, principalmente Moisés como libertador, Aarão como sacerdote, Davi como rei e Judas Macabeu como político e militar. O Cristianismo retoma textos e ideias sobre o Messias, mas muda a interpretação, concentrando-a na pessoa de Jesus de Nazaré, chamado o Cristo, o Ungido ou o Messias. Embora Jesus encarne traços diversos do messianismo judaico, ele privilegia a imagem do Messias pobre, servo, sofredor, pacificador, misericordioso e solidário na luta pela justiça. Apesar das diferentes compreensões, o messianismo deve ser motivo de esforço comum entre judeus e cristãos, em vista da paz e da justiça no mundo.

Palavras-chave


Judaism; Messiah; Anointed; Jesus Christ; Judaísmo; Messias; Ungido; Jesus Cristo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/cam.v15i2.6035

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