Evolução da Composição de Triacilglicerídeos em Plantas: uma análise filogenética comparativa

Mariana Pires de Campos Telles, Nelson Roberto Antoniosi Filho, José Alexandre Felizola Diniz Filho

Resumo


A análise de dados comparativos em um contexto filogenético explícito tem sido utilizada recentemente para avaliar os mecanismos envolvidos na evolução fenotípica, especialmente no sentido de tentar distinguir entre mecanismos adaptativos e não-adaptativos (evolução neutra). Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi estudar os padrões de evolução fenotípica dos triacilglicerídeos em plantas, utilizando os métodos filogenéticos comparativos. Os dados foram analisados utilizando-se os triacilglicerídeos individuais e também agrupados com base no número total de átomos de carbonos e de duplas ligações dos ácidos graxos presentes (TCL), a fim de verificar como análises em diferentes níveis da hierarquia química afetam a avaliação de padrões adaptativos e neutros na evolução desses fenótipos. Esses dados foram obtidos para 19 espécies, cuja relação filogenética foi estabelecida a partir de uma filogenia disponível na literatura e construída utilizando-se seqüências de nucleotídeos da região 18S do DNA ribossomal. Os padrões filogenéticos na composição química dos óleos foram analisados por meio de testes de Mantel e correlogramas calculados com base em índices I de Moran. Os testes de Mantel não foram significativos, indicando ausência de padrões filogenéticos multivariados na composição química dos óleos. Entretanto, dos 54 triacilglicerídeos analisados, 14 (26%) apresentaram correlogramas significativos, enquanto que 20% dos TCL apresentaram correlogramas significativos. A ausência de fortes estruturas filogenéticas para a maior parte das variáveis ligadas à  composição química dos óleos implica falta de possibilidade de predição a partir do conhecimento dos valores da variável em uma espécie filogeneticamente próxima, sem levar também em consideração o conhecimento mais detalhado das características ambientais e das pressões seletivas sobre as quais as espécies evoluíram. Para fins de taxonomia, essas características são de pouca utilidade exceto em níveis mais inclusivos da hierarquia biológica, e estudos anteriores com base nessa composição devem refletir mais similaridade ecológica e evolutiva, em termos de estratégia de vida, do que relações filogenéticas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/est.v34i6.244

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EVS | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 1983-781X | Qualis B3

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