“Brave Women” – Discussing Gender Trough the Expography

Loredana Ribeiro, Daniele Borges Bezerra, Joziléia Daniza Jagso Kaingang, Priscila Chagas de Oliveira, Rosemar Gomes Lemos

Resumo


This paper presents the experience of conception and execution of an expography of genderthat taps in the potential of archaeological and ethnographiccollections to promote debates about sexism, racism, homophobia and other common practices of daily oppression. Conceived from two transversals segments of dispute the exhibit rejects the elitist and hegemonic discourses as much as it feeds the criticism about the masculinism scientific/academic discourse that forms supposedly neutral representations of the past that naturalizes all the gender, race-ethnicity, sexuality and class inequities that exists nowadays. Bravas Mulheres is a display of photos, things and narratives of subjects that resisted and resist the subjugation, their process of collective and self-affirmation, their material worlds, knowledge and subjectivities.

‘Bravas Mulheres’ Discutindo Gênero Através da Expografia

O artigo relata a experiência de concepção e execução de uma expografia de gênero que explora o potencial de acervos arqueológicos e etnográficos para estimular a reflexão e o debate sobre o sexismo, o racismo, a homofobia e outras práticas de opressão cotidiana. Concebida a partir de dois segmentos transversais de contestação, a narrativa expográfica tanto rejeita os discursos hegemônicos e elitistas de patrimônio quanto busca fomentar a crítica ao masculinismo do discurso científico/acadêmico que constrói representações do passado supostamente neutras, mas que naturalizam as desigualdades de sexo/gênero, raça/etnia, sexualidade e classe que existem hoje. Bravas Mulheres é uma exposição de fotografias, coisas e narrativas de sujeitas que resistiram e resistem à subalternização, seus processos de afirmação individual e coletiva, seus mundos materiais, saberes e subjetividades.

Palavras-chave


Feminist Critique; Expography; Archaeology; Anthropology; Gender Museology; Crítica Feminista; Expografia; Arqueologia; Antropologia

Texto completo:

PDF

Referências


ABREU, Regina. Dinámicas de patrimonialización y "comunidades tradicionales". In: CHAVES, Margarita; MONTENEGRO, Maurício; ZAMBRANO, Marta. El valor delpatrimonio: mercado, políticas culturales y agenciamientossociales. Bogotá: ICANH, 2013, p. 1-25.

BEZERRA, Marcia. As moedas dos índios: um estudo de caso sobre os significados do patrimônio arqueológico para os moradores da Vila Joanes, ilha de Marajó, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi. Ciências Humanas, v. 6, n. 1, p. 57-70, 2011.

BLANCO, Angela García. La exposición, um medio de comunicación. Madrid: Ediciones Akal, 2009.

BRAH, Avtar. Diferença, diversidade, diferenciação. Cadernos Pagu, n. 26, p. 329-376, 2006.

CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. In: ASHOKA EMPREENDIMENTOS SOCIAIS & TAKANO CIDADANIA (Orgs.). Racismos contemporâneos. Rio de Janeiro: Takano Editora, p. 49-58, 2003.

CARVALHO, Vânia Carneiro de. Cultura material, espaço doméstico e musealização. Varia hist., Belo Horizonte, v. 27, n. 46, p. 443-469, 2011.

CARVALHO, Vânia Carneiro de. Gênero e artefato. O sistema doméstico na perspectiva da cultura material – São Paulo, 1870-1920. São Paulo: Edusp, FAPESP, 2008.

CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. Trad. Luciano Vieira Machado. São Paulo: Unesp, 2001.

CRENSHAW, Kimberlé W. Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence against Women of Color. Stanford LawReview, v. 43, n. 6, p. 1241-1299, 1991.

CURY, Marília Xavier. Exposição: concepção, montagem e avaliação. São Paulo: Annablume, 2005.

DAVIS, Angela. Mujeres, raza y clase. Madrid: Ed. Akal, 2005.

ENGELSTAD, Ericka. Much More than Gender. J Archaeol Method Theory, n. 14, p. 217-234, 2007.

HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cad. Pagu, n. 5, p. 7-41, 1995.

HARAWAY, Donna. Modest_Witness@Second_Millennium. The Haraway Reader. New York, Routledge, p. 223-250, 2004.

HARDING, Sandra. The science question in feminism. Milton Keynes: Open University Press, 1986.

KELLER, Evelyn Fox. Reflections on gender and science. New Haven: Yale University Press, 1985.

MILHEIRA, Rafael Guedes. Arqueologia Guarani na laguna dos Patos e Serra do Sudeste. Pelotas: Editora da Universidade Federal de Pelotas, 2014.

MORAES-WICHERS, Camila A. Narrativas arqueológicas e museológicas sob rasura. Revista de Arqueologia, [S.l.], v. 30, n. 2, p. 35-50, 2017.

OLIVEIRA, Priscila Chagas. Museu difuso: interface da memória. Revista Contribuciones a las Ciencias Sociales, abril-junio, 2016. Disponível em: . Acesso em: 28 mar. 2018.

PINTO, Renato. Museus e diversidade sexual. Reflexões sobre mostras LGBT e queer. Arqueologia Pública, n. 5, p. 44-55, 2012.

PRATS, Llorenç. El concepto de patrimônio cultural. Política e sociedade, n. 27 p. 63-76, 1998.

RECHENA, Aida Maria Dionísio. Sociomuseologia e género: imagens da mulher em exposições de museus portugueses. 2011. Tese (Doutorado em Museologia) - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2011.

RICOUER, Paul. A Memória, a história, o esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.

ROQUE, Maria Isabel Rocha. Comunicação no Museu. In: BENCHETRIT, Sahra Fassa; BEZERRA, Rafael Zamorano; MAGALHÃES, Aline Montenegro (Orgs.). Museus e Comunicação: exposição como objeto de estudo. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, v.1, p. 47-68, 2010.

SILVA, Joana A. Flores. Mulheres negras e a discussão de gênero na construção das narrativas nos museus de Salvador. Revista Mosaico, v. 9, n. 2, p. 178-188, 2016.

SILVA, Joana A. Não me olhe como vê: o não lugar das memórias, narrativas e trajetórias das mulheres negras nos museus de Salvador. Cadernos de Sociomuseologia, [S.l.], v. 53, n. 9, 2017.

SCHOENI, Dominique. Encenar os saberes etnográficos: perspectivas museológicas sobre mídias digitais e exposição. Tessituras, v. 2, n. 2, p. 86-113, 2014.

VAQUINHAS, Irene. Museus do feminino, museologia de género e o contributo da história, MIDAS[Online], n. 3, 2014. Disponível em: . Acesso em: 28 mar. 2018.

WYLIE, Alisson. Doing archaeology as a feminist: Introduction. J Archaeology Method Theory 14, p. 209–216, 2007.

WYLIE, Alisson. Feminist Philosophy of Science: Standpoint Matters. Proceedings and Addresses of the American Philosophy Association, v. 2, n. 86, p. 47-76, 2012.




DOI: http://dx.doi.org/10.18224/hab.v16i1.6006

Direitos autorais 2018 Loredana Ribeiro, Daniele Borges Bezerra, Joziléia Daniza Jagso Kaingang, Priscila Chagas de Oliveira, Rosemar Gomes Lemos

 

Este obra está licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição Sem Derivações 4.0 CC BY-NC-ND


HABITUS | Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 1983-7798 | Qualis B2

Flag Counter