O QUE NÃO TEM REMÉDIO MIDIATIZADO ESTÁ: SAÚDE, BELEZA E PODER NA PUBLICIDADE DE MEDICAMENTOS DO INÍCIO DO SÉCULO XX

Moacir Carvalho Oliveira

Resumo


Pretende-se discutir e descrever a publicidade de medicamentos em jornais e periódicos brasileiros do início do século XX. Os medicamentos serão considerados um tipo de objeto peculiar, nunca sendo óbvio o conjunto funcionalmente compartilhado de seus atributos. Pouco importa, se como algo dotado de história, ou se como algo que fale sobre pessoas, ainda mais em se tratando de objeto ligado a contextos de sofrimento. Ganhando o medicamento significado particular nos mercados urbanos que modernizavam-se. Contexto de esperanças crescentes na ciência e progresso humanos, solicitando de nós uma determinada postura. Considerar-se-á a publicidade enquanto etapa discursiva, fundamental não apenas para se fazer negócios, mas também, para contar sobre coisas. Algo capaz de também instruir consumidor e produto em um ato de elevação do valor da pessoa e do objeto. A publicidade funcionando também como certificadora, uma vez que agências fiscalizadoras e normativas semelhantes as atuais ainda estavam em formação

Palavras-chave


certificação; medicamento; mercado; modernização; publicidade

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/mos.v10i0.5568

 

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MOSAICO | Programa de Pós-Graduação em História | Pontifícia Universidade Católica de Goiás | e-ISSN 1983-7801 | Qualis B3

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