RELAÇÕES DE PODER E TENSÃO NO TOMBAMENTO DA JAQUEIRA EM PERNAMBUCO – PE

Rozeane Porto Diniz

Resumo


Discutimos, neste artigo, as relações de poder e tensão no tombamento da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, conhecida como Capela da Jaqueira sob o processo nº 133-T-1938 em Pernambuco – PE. Num primeiro momento, metodologicamente, nos detemos a historicizar a Capela. Em seguida, elencamos as memórias representadas nos discursos do SPHAN, em 1938, quando se deu o início do processo de tombamento e o discurso contido no pedido de impugnação requerido pela senhora Ana Izabel da Costa Brito, inventariante e uma das herdeiras da Capela. Quanto ao embasamento teórico, dentre os autores aqui utilizados, contamos com os apontamentos de Candau (2012) para problematizar a memória, de Foucault (2008, 1988, 2010) para discussão de prática discursiva, enunciado e poder. Em suma, identificamos uma “prática discursiva” e “um dispositivo histórico” construído e utilizado pelo SPHAN para legitimar seu discurso de verdade sobre a representação da Capela enquanto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Palavras-chave


Capela da Jaqueira. Tombamento. Memórias. Relações de poder. Prática discursiva.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18224/mos.v12i1.7029

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